CARAÍVA
E SUAS BELEZAS
A chegada a Caraíva é impactante. Descendo
do ônibus ou carro particular, é hora de pegar
as bagagens e entrar numa das charmosas canoas que fazem
a travessia para a cidade. Paga-se de uma vez o percurso
de ida e volta (R$ 5) e o visitante guarda para si o tíquete,
que vai apresentar quando for embora.

Vale
a pena sacar a máquina e registrar o momento. À
esquerda, bem no fundo, avista-se a Ponta da Barra e onde
logo atrás o mar se esconde. Às margens, verde,
muito verde. Á frente, vê-se a cidadezinha
charmosa com suas casinhas coloridas, coqueiros, árvores
frondosas e alguns pequenos barcos, que fazem a primeira
foto da viagem se transformar num cartão postal digno
de porta-retrato.
Com
os pés em terra - literalmente, pois a cidade não
tem ruas calçadas, é toda de areia - é
hora de caminhar em direção à pousada
ou ao camping. Os que estão viajando com bolsas muito
pesadas, convém negociar com os carroceiros que ficam
bem perto do porto.
Depois
de deixar a bagagem, vista o traje que o acompanhará
durante todos os
dias:
roupa de banho, bermuda, short ou saia, blusa e chinelos
(de preferência, com o solado mais grosso, pois a
areia costuma esquentar bastante e o calor passa para os
pés). E a máquina de fotografar, claro. Você
irá se arrepender se não fizer dela sua companheira
fiel. A cada passeio pelas praias, a cada caminhada pela
rua que acompanha o rio, a cada momento com os amigos na
mesa do bar ou no contato com as crianças e índios,
a cidade se revela cada vez mais bonita e charmosa.
Se
o primeiro desejo a ser satisfeito for mergulhar nas águas
límpidas do Rio Caraíva, o melhor lugar para
isso é
a Ponta da Barra, onde rio e mar se encontram. Ali pertinho,
outro ponto turístico: o Boteco do Pará, que
merece um registro especial por estar localizado em lugar
privilegiado, de onde avista-se um lindo pôr-do-sol.
O lugar também é conhecido por "Ponto
dos Mentirosos", referência às histórias
de pescador.
O
primeiro mergulho na água "agridoce" não
deixa dúvidas de que Caraíva é única.
Na maioria das vezes manso, às vezes puxando para
o mar, o Rio Caraíva permite que se atravesse andando
de um lado para o outro ou, caso o pé não
alcance o fundo, mais cedo ou mais tarde surge um banco
de areia, bem lá no meio das águas. Um convite
à criança que existe dentro de cada um. Ficar
lá no meio já é, por si só,
uma grande brincadeira.
A
praia que tem o mesmo nome da vila também é
estonteante. Aproximadamente dois quilômetros de areia
fina e clara e uma água cristalina. O mar é
ótimo para mergulhos e esportes à vela. Para
quem preza um pouco de solidão saudável, dependendo
da hora é possível tê-la apenas para
si, um deleite egoísta, mas perfeitamente perdoável.
As índias com suas muitas crianças não
tardam a aparecer oferecendo colares, muitos de uma combinação
de sementes e cores de extremo bom gosto, pendurados em
seus braços. Ótima opção para
presentear.
Há
somente dois telefones públicos e não há
sinal para celulares comuns. Moradores e comércio
local usam apenas celulares rurais. Caso seja necessário
acessar a internet, você encontra um pequeno cyber
com banda larga no bar Ouriço, em frente ao porto
de chegada.
O
vilarejo tem posto de saúde, delegacia, biblioteca
e escola municipal. Andando pela vila você encontrará
uma pequena placa lembrando à você: “Calma,
o sábio não se aborrece”. Se o passo
e a cabeça ainda estavam acelerados, o jeito é
respirar fundo e agradecer os inúmeros momentos de
paz que a cidade oferece. Claro que durante a alta temporada,
o tráfego do grande número de turistas pelas
ruas, restaurantes, mercadinhos e bares traz para Caraíva
outros sons e uma outra rotina, mas nada que transforme
o lugar num balneário badalado. Ostentação
não combina com a Vila.